segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mais ano que se passa, mais um ano sem você...



Mais um ano se passou... Claro que eu prometi que eu ia escrever religiosamente no blog, principalmente agora que estou distante dos meus amigos e familiares no Brasil. E claro que eu não cumpri a promessa. Já tem quase um ano que eu estou morando em DC, e nem um postzinho pra contar a história. Então resolvi: não faço mais promessas. Farei o possível pra escrever com mais contância, mas não prometo nada.

Tendo dito isso, vamos ao que interessa: um ano se passou em Washington, DC. Não sei nem por onde começar (que é um dos problemas de passar tanto tempo sem escrever). Então vamos por partes, como diria nosso amigo Jack...

Primeiro, volta às aulas. Estou aqui fazendo um mestrado em filme e vídeo na American University, uma das melhores escolas para filmes documentários do mundo. E eu nem sabia disso quando me inscrevi pro curso, o que simplesmente vem a comprovar a minha idéia de que o universo conspira sempre a nosso favor.

De onde veio a idéia de fazer documentários? Pra falar a verdade, não sei bem dizer. Sei que eu sempre gostei de filme e cinema, mas daí a pensar em passar da poltrona pra detraz das câmeras é um passo enorme. Tenho uma prima e um amigo que trabalham com documentários, e esse era o único contato que eu tinha com a profissão... Mas independente de de onde surgiu a idéia, eu me inscrevi pro curso, vim morar nos States e... Me encontrei. De verdade. Fazer filmes é fantástico, e involve muito mais do que simplesmente saber onde fica o botão de gravação na camcorder de mão. Involve uma visão, uma história, e um desejo irresistível de que todas as pessoas do mundo conheçam essa história, e sintam por ela o mesmo que você sentiu quando resolveu fazer o tal filme. Quem diria... eu acabei virando uma contadora de histórias. Vinda de uma família de jornalistas e escritores, pode parecer óbvio pra muita gente, mas admito que me pegou de surpresa.

É impressionante olhar pra trás e ver o quanto eu aprendi nesse ano que passou. Do meu primeiro filmezinho (sobre uma pessoa que acorda com um barulho e sai pra investigar), onde eu mal sabia ligar a câmera, hoje eu sei montar iluminação pras mais diversas situações, sei pra que que serve a tão famosa claquete, sei o que significam as milhões de funções que aparecem nos créditos dos filmes. E principalmente, sei que TODAS aquelas pessoas listadas são essenciais pra produção do filme. Sei também fazer orçamento (e sei chorar com o valor total listado no finzinho da planilha), e estou agora aprendendo a pedir dinheiro :) Mas o melhor de tudo é o prazer de ver a sua visão se tornando realidade, as imagens sendo criadas na telinha da câmera, depois na tela do computador e, finalmente, na tela da televisão (e quem sabe um dia, nas telas de cinema!).

Sinto orgulho de todos os pequenos projetos dos quais participei até hoje. A maioria foram curtas, de 5 a 10 minutos, realizados em poucos meses. Alguns eu filmei, outros produzi, a maioria eu editei ou ajudei na edição. Apesar de eu querer mesmo é trabalhar com documentários, não tenho como negar o quanto é divertido trabalhar em filmes de ficção, escrever roteiros, dirigir atores, montar cenário (aliás, a maioria dos filmes foi filmado no meu apartamento). E melhor de tudo, a festa de encerramento ao final da produção :)

Um desses pequenos filmes me valeu meu primeiro prêmio, o de melhor documentário, com direito a cerimônia de entrega, foto, entrevista e até um troféu. É um documentário que fiz com outras 5 pessoas na minha turma de Técnicas Avançadas de Documentário, sobre um médico que atende pacientes idosos e de baixa renda em suas residências. Entrevistamos o médico e dois pacientes. O documentário final ganhou não só o prêmio de melhor documentário, mas também o de "Mídia que Importa" (que era o tema do prêmio). E, ainda mais impressionante, o vídeo está agora fazendo as rondas pelo Congresso americano e, da última vez que eu vi, estava a caminho da Casa Branca. É aquela ideiazinha que cria vida própria e vai por caminhos que você nem imaginava quando estava tentando gravar uma entrevista dentro de um carro apertado com cabos e microfones e refletores e buracos...

E agora vem o maior desafio de todos: o meu projeto final. Teoricamente, como o meu curso é só de dois anos, eu só precisava fazer um curta (20 a 30 minutos). Mas o projeto que eu quero fazer não cabe em 30 minutos... E vai ser filmado em Londres e Salvador, com uma equipe de umas 8 pessoas, com legendas e tudo mais. É um pouco além do que é pedido, mas e daí? É o que eu quero fazer, e eu vou dar um jeito de fazer... Ainda não sei bem como, porque o orçamento já tá muito além das minhas condições, mas tenho certeza que de algum jeito vai dar certo. É aquela minha fé nas conspirações cósmicas...

Vou deixar os detalhes do projeto final pro próximo post, que deve vir logo logo (mas lembrem-se, não faço promessas!)

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