segunda-feira, 5 de março de 2007

Retrospectiva 2006


Tá bom, eu sei. Retrospectiva geralmente é feita em janeiro (os mais apressados fazem até mesmo em dezembro). Não em março. Mas é que 2007 já começou tão corrido e tão cheio de surpresas - algumas agradáveis, outras tristes - que mal dava tempo de pensar no presente, quanto mais no passado. Mas acho que mesmo com um pouco de atraso, o que vale é a intenção.

2006 foi um ano cheio de novidades e realizações. Tanta coisa aconteceu, que parece que eu vivi uns 5 anos em 1 (como diria JK). Aliás, esse tem sido o lema da minha vida, desde 1999: cheia de ação, de mudanças, de neuroses, parece um filme, ou talvez um livro.

Ano passado foi cheio de primeiros. Passei meu primeiro Carnaval na Sapucaí (infelizmente não desfilei ainda, mas é bom que tem alguma coisa pra esperar dos próximos anos). Nasceu meu primeiro sobrinho, coisa mais linda da tia. Viajei com a minha vó para o Leste Europeu, e me apaixonei por Praga e, principalmente, por Viena. Me emocionei assistindo a Orquestra de Mozart tocando Danúbio Azul no Palácio de Hofburg, briguei a beça com a minha vó porque ela queria comer o que não devia, troquei milhões de vezes de prato com ela porque o meu sempre era melhor :)

Comprei meu primeiro apartamento, depois de muita procura e seguindo minha intuição pela primeira vez na minha vida para algo realmente grande. Vi e resolvi que era aquele e pronto. Fiz a minha primeira reforma, aprendi a decifrar letra (e palavras como triuê e foruê) de mestre de obras, a prestar atenção em detalhes de projeto pra não me arrepender depois, a fazer recibo e a negociar preço com pintor, gesseiro e marceneiro. Aprendi a brigar pelos meus direitos e a controlar orçamento, aprendi que não dá pra fazer tudo de uma vez, e adquiri um pouco mais de paciência (mas não muita). Descobri meu gosto por decoração, e que eu sei exatamente o que eu quero. E que não me interessa o que os outros acham, eu VOU pintar o meu lavabo de vermelho e vai ficar LINDO. E me surpreendi com o resultado de tudo isso: meu apartamento tá lindo de morrer, do jeito que eu queria, com a minha cara. E com o lavabo vermelho, que todo mundo achava chocante. E que hoje todo mundo gosta.

Como se isso tudo aí em cima já não bastasse... Teve o Batala, que entrou na minha vida como um furacão e repriorizou tudo. De março pra cá, tiveram poucos fins de semana que não foram reservados para a banda. Dos meses que eu passei como aspirante, sentada na grama assistindo os ensaios, até hoje, aconteceu tanta coisa que é até difícil de listar. Troquei do surdo pro repique em tempo récorde, fiz minha primeira apresentação no Teatro Nacional fazendo duelo com uma violinista. Caí na organização fazendo freqüência do repique, e de repente me vi fazendo a freqüência consolidada de quase duzentas mulheres, pontuação e ranking por instrumento, e ajudando a organizar a mega super ultra viagem pra Lavagem do Bonfim. Fui convidada (pra minha surpresa!) pra participar da gravação do novo CD do Batala, e passei a ensaiar feito uma louca, todos os dias da semana, incluindo sábado e domingo. Passei a coordenar as aulas de baquetas de quarta-feira, depois a de segunda, e mais uma pra completar. Virei regente substituta, organizando apresentação e regendo uma banda de 70 meninas, morrendo de medo e controlando crises de pânico. E, mais importante de tudo isso, aprendi a tocar! :) Milhões de bolhas nos dedos, dor nos braços, cãimbras, muita bronca e cara feia do regente, dança pro lado errado, solos não programados (também conhecidos como "erros vergonhosos")... Muito sofrimento, mas que nem parecia sofrimento porque era tudo tão divertido. E ainda tem muuuuuuuuito o que aprender. Pra isso temos o ano novo, né...

Pois é, esse foi 2006. O que eu espero de 2007? Sinceramente, não espero mais nada. Já aconteceu tanta coisas nesses dois primeiros meses, que fico até com medo do que mais pode acontecer. Fiz uma viagem linda com o Batala para Salvador, onde aprendi que é possível compartilhar uma casa com 60 outras mulheres sem ficar completamente louca. Conheci pessoas maravilhosas, que espero poder reencontrar um dia. Consegui completar a caminhada de 6km até a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim em 4 horas e meia, sem parar de tocar. Gravamos o CD de madrugada, em estúdio, e ele ficou LINDO! Toquei nas ladeiras do Pelô, com o Tambores e Cores, com o Cortejo Afro, com Gerônimo. Dei entrevista pra programa de TV sobre mulheres na música. Viajei também no Carnaval, dessa vez pra Buenos Aires, fiz milhões de compras, assisti um show de tango, vi o túmulo da Evita Perón, comprei uniforme do Boca Júniors pras crianças da família, treinei meu espanhol, mas acabei falando mais foi português, porque aquilo parece mais estado brasileiro do que país estrangeiro. Amei.

Como disse no começo, tive surpresas agradáveis e outras tristes nesse começo de 2007. E a mais triste de todas foi perder meu padrasto. E esse foi mais um "primeiro": primeira pessoa realmente próxima a mim que morreu. Sinto saudades dele me esperando no aeroporto, querendo saber as novidades. De brigar com ele porque ele não podia carregar peso, mas sempre queria colocar as malas no carro. De discutir orçamento e política com ele (a única pessoa que eu tinha paciência de discutir sobre esses assuntos).

Mas a vida continua. Esse ano tem milhões de perspectivas positivas, muitas previsões de viagens, algumas já programadas há algum tempo, outras meio que de surpresa. Mudanças no trabalho (se Deus quiser), móveis novos, quadros novos, home theater novo (se sobrar dinheiro, depois das viagens). Curso de fotografia, de edição de vídeo, de arte digital. Show de lançamento do CD do Batala. Quem sabe até um Se Vira nos Trinta de novo...

Com esse tanto de coisa prevista, não tem como esperar mais. Não cabe no ano, que mal começou e já me deixou cansada, estafada, nervosa, melancólica, ansiosa, mas ao mesmo tempo, feliz. E que venha 2007!