domingo, 2 de novembro de 2014

A Frustração da Volta

Estou de volta pro meu aconchego… E devo dizer que estava pronta pra voltar, diferente da última vez que eu saí do Brasil, pra fazer mestrado nos Estados Unidos. Da primeira vez, eu não queria voltar não. Não porque não queria estar no Brasil, mas porque perdi uma oportunidade única de ser parte da primeira turma de um PhD, com bolsa integral e trabalho pago de pesquisa na universidade. Mas o Senado não autorizou a extensão da licença e eu tive que dizer não e voltar. Foi frustrante, e voltei já com uma atitude negativa. Tudo fica mais difícil.

Dessa vez não. Depois de dois anos viajando pelo mundo, vivendo em hotéis e albergues, arrumando e desarrumando mala o tempo todo (tirando os seis meses que eu vivi na Tailândia), chega uma hora que tudo que você mais quer é a sua casa, o seu armário, uma rotina. Em suma, eu estava pronta pra voltar pra minha vidinha morna, café com leite, normal. Passei meses me preparando para a volta, já prevendo uma leve depressão (que sempre ocorre e que até tem nome na psicologia: choque cultural inverso, ou seja, o choque de voltar pra sua cultura materna). Mas achei que dessa vez seria diferente.

E foi. Por um lado, está sendo bem diferente. Faço planos. Quero refazer a casa, criar rotinas novas, experimentar coisas novas, trazer um pouco do que eu aprendi nessa viagem pro meu dia a dia. Meditar. Aprender italiano. Continuar meu treino de corrida. Alimentar a minha fome de viajar, só que agora dentro do meu país, conhecer melhor esse Brasil enorme e diverso, que eu conheço muito superficialmente. Enfim, essa atitude esperançosa de fazer planos já elimina e muito as possibilidades de ficar deprimida.

Mas nem tudo são rosas... E voltar pro Brasil tem seus pontos bons e seus pontos ruins. Do lado bom tem tudo que é esse país lindo que eu tenho o prazer de chamar de “meu”, com sua comida (ai que saudade do arroz e feijão, da goiabada com queijo e da paçoca!), sua música (que não seja Michel Teló, que foi só o que eu ouvi esses últimos dois anos, chega!), seu povo acolhedor, conversa de bar que dura horas, piadas na fila do supermercado, forró, samba, rodinha de violão. Tudo isso pesa muito. Mas o lado negativo é foda, e é extremamente frustrante, principalmente depois que se viveu e conviveu com tantas outras culturas pelo mundo, onde as coisas funcionam (ou não) de forma diferente. Aqui vai a lista das minhas frustrações na volta pro Brasil:

Os preços: é chocante voltar pro Brasil e ver a disparidade dos preços em relação ao resto do mundo. Tudo bem que eu passei boa parte da viagem em lugares onde o custo de vida é super barato. Na Tailândia eu pagava 5 dólares por dia pelo meu quarto,  1 dólar por um belo prato de comida (frango agridoce, hmmmm!). No Camboja, 25 dólares pagava um bangalô num hotel com direito a piscina e café da manhã. Mas mesmo comparando com lugares mais caros, como a Itália ou a Espanha, o Brasil ganha de lavada no quesito preços estratosféricos. 900 reais num criado-mudo da Tok & Stok? Tem gaveteiro de 6 gavetas na Ikea por 50 euros! Roupa de cama por 500 reais? Nem de algodão egípcio 300 fios... A mais cara que eu achei foi na Pottery Barn, e saía por 80 dólares pra cama tamanho queen. Ainda não fiz compras de supermercado, mas acho difícil que saia pelos 20 euros semanais que eu gastava no mês que passei na Itália. Fui comprar uma calça de yoga, e saía pela bagatela de 300 reais! A minha bota de couro italiana saiu por esse preço... Tênis de corrida da Mizuno que comprei por 50 euros, aqui sai por quase mil reais! E o pior é ouvir de todo mundo que é assim mesmo, esse é o preço. Acho um absurdo. Aí vão falar, ah, é porque você vai em lojinha burguesa, de elite. Pois saibam que nem em lojinha burguesa de elite você encontra coisas nesse preço na Europa (tirando Gucci e afins, e vamos e convenhamos, as nossas lojas de roupa não são nenhuma Gucci). E a razão é simples: ninguém compra. Os preços aqui são absurdos em parte por causa da tarifação, mas em parte também porque o brasileiro compra. Porque o brasileiro dá valor às coisas pelo preço, quanto mais caro melhor, mais chique, mais elite. Pra quem tá voltando e começando praticamente do zero, dá um certo pânico imaginar que vou gastar alguns milhares de reais pra refazer meu guarda-roupa e meu apartamento. Principalmente sabendo que eu conseguiria fazer a mesma coisa na Europa ou nos Estados Unidos por bem menos.

Serviço: passei por pelo menos 20 países nesses últimos dois anos, e posso afirmar: o Brasil tem a pior internet de todos. Talvez se equipare (por pouco) com países como a Tailândia, o Camboja e a Malásia. Agora, o pior: pagamos um absurdo por esse serviço porcaria. Na Tailândia, pagava mais ou menos 10 dólares por mês pra um pacote de internet ilimitada. No Reino Unido foram 10 pounds, na Itália 15 euros. Isso já contando com o chip, num plano pré-pago. Aqui? Pago 200 reais por mês, e o 3G mal funciona na maioria das vezes. Sem contar com outros absurdos, como o DDD. Como assim, isso ainda existe?? Não existe em lugar nenhum do mundo! Nos Estados Unidos, que tem quase o dobro de estados que o Brasil, ninguém transfere o seu número quando muda de estado, porque não faz a menor diferença. Nem ligando pra operadora diferente, tudo custa igual. No Reino Unido também, e olha que estamos falando de quatro países diferentes! Mas aqui, meu pacote tem que ter DDD incluído, e olha que é só DDD dentro da minha operadora... Se ligar pra Vivo ou pra Tim, sai mais caro. Banco também, nos Estados Unidos não tem agência e gerente preferencial (a não ser que você seja milionário). Tem que resolver um problema na sua conta? Entra em qualquer agência, em qualquer estado, apresenta o seu cartão, e o gerente de plantão vai resolver. Funciona perfeitamente. Aqui eu não consigo liberar o meu cartão se não for na minha agência, o que já gerou vários problemas quando estava no Rio ou em Salvador e meu cartão bloqueou.

Falta de respeito: o brasileiro não tem o mínimo de respeito ao próximo. Chegou atrasado no aeroporto e seu voo vai sair? Paciência, devia ter chegado mais cedo, não é justo passar na frente das pessoas que chegaram no horário correto, atrasando o processo de todo mundo. Aquele papelzinho de bala ou bituca de cigarro que você jogou no chão? É o que faz a cidade inundar nas chuvas porque os bueiros estão entupidos. Sabe aquela placa branca com um E escrito e um traço enorme cruzando no meio? Se você tem carteira deve saber o que significa. Proibido estacionar. Não, não significa que você pode parar ali só um pouquinho enquanto vai ali na esquina comprar pão. Não significa que você pode ir no barzinho e ficar de olho pra tirar o carro quando um policial passar. Existe um motivo pra ser proibido estacionar nesse local, e não é só pra infernizar a sua vida. O seu carro estacionado em local proibido atrapalha o fluxo do trânsito causando engarrafamentos, atrapalha a visão causando possíveis acidentes. Ah, mas não tem vaga. Mentira. Não tem vaga perto de onde você quer ir. Vaga sempre tem... Claro que ninguém quer parar a quilômetros de distância, mesmo porque voltar a pé pra pegar o carro de noite é perigoso. O que nos traz ao meu próximo ponto de frustração...

Segurança: achava muita graça quando minha mãe ficava preocupada com a minha segurança durante a minha viagem. Nós vivemos em um dos países mais violentos do mundo, e ela está preocupada com a minha segurança na Tailândia e no Camboja? Nos seis meses que eu vivi na Tailândia, voltei inúmeras vezes pra casa sozinha, as 3 horas da manhã, andando uns 2 km por ruas escuras e desertas. Idem pra Hanoi (Vietnã), Aqaba (Jordânia) e até Jerusalém. Tinha cuidado, claro. Mas nunca senti o nível de medo que sinto ao andar por menos de um minuto do barzinho até meu carro estacionado na quadra. No Rio, meu pai e madrasta foram de carro pra uma festa que ficava a duas ruas de distância. É uma realidade triste, e durante a viagem ouvi histórias de amigos aqui que sofreram sequestro relâmpago, e até de um amigo que foi esfaqueado na quadra do Beira norte (felizmente ele está bem). Não se pode andar a pé, nem dar uma corridinha no fim da tarde; não se para em sinal vermelho depois de uma certa hora;  não se para nem pra ajudar alguém na beira da estrada, muito menos dar carona. Tudo pode ser golpe, armação, e numa dessas você acaba esfaqueada, estuprada e jogada na beira da estrada... Exagero? De jeito nenhum. E desse jeito vamos levando, só relaxando de verdade quando chegamos em casa no fim do dia e trancamos a porta. Isso não é vida...

Mas é essa a vida que temos. Acho que a falta de respeito, no final, é raiz de tudo. A falta de respeito do governo por seus cidadãos, dos empresários pelos seus clientes, e dos cidadãos consigo mesmos é que gera a falta de segurança, os preços exorbitantes, os serviços meia-boca que temos por aqui, além de tantos outros problemas. A cultura do “jeitinho” é que gera essa atitude tão brasileira de se achar “no direito”, como se o meu direito não valesse o mesmo tanto que o seu. Queria dizer que muita coisa mudou nesses dois anos que estive fora... Mas se mudou, vou ser bem sincera, foi pra pior. E assim, com menos de um mês no Brasil, já sinto a velha frustração se instalando...

Mas o meu lado otimista sempre vence, e eu quero muito acreditar que meus filhos (futuros e, por enquanto, fictícios) poderão viver num país melhor... É pra eles que eu brigo, discuto e debato, porque na minha vida acho que não vejo não.

Força na peruca e bola pra frente! E tem sempre aquela viagenzinha pro exterior pra fazer enxoval completo pra casa, que mesmo com a passagem acaba saindo mais barato do que comprar aqui :-P

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Como uma onda

Não vou começar o post explicando sobre a minha vida nos últimos 3 anos... Eu fui. E voltei. E fui de novo, e repeti esse processo tantas vezes que chega uma hora que a gente fica até na dúvida se está indo ou vindo. O mais engraçado é que isso não me incomoda, mas aparentemente incomoda os outros. E o fato dos outros se incomodarem faz com que eu me incomode também. Não com o ir e vir, mas sim com o incômodo alheio causado, inadvertidamente, por mim.

As vezes fico pensando que eu devia ser mais constante. Mais focada. Ter aquela profissão que me realiza, aquele hobby que me faz feliz, aquela rotina diária que me dá segurança. Tenho inveja daquelas pessoas que sabem desde os 6 anos de idade o que querem ser quando crescerem. O caminho pra elas é tão claro... Pode ter obstáculos, pequenos, grandes, mas todos serão ultrapassados, porque se tem a certeza de que aquele é o rumo correto.

Eu até hoje não sei o que vou ser quando crescer. Não sei o que faço aqui. Não sei se caso ou compro a proverbial bicicleta, se vou ou se fico. E sempre achei que eu deveria saber, que chega uma idade que a gente tem que ter base, estrutura, firmeza. Fica aquela sensação de que o tempo está passando e que, se a gente não se decidir logo, se não escolher uma estrada, a gente vai ficar pra trás. Vai perder. Chegar por último nessa corrida que a gente nem percebe que está participando.

Aí eu paro, respiro fundo, e lembro do mar... E paro de correr, e me deixo levar.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mais ano que se passa, mais um ano sem você...



Mais um ano se passou... Claro que eu prometi que eu ia escrever religiosamente no blog, principalmente agora que estou distante dos meus amigos e familiares no Brasil. E claro que eu não cumpri a promessa. Já tem quase um ano que eu estou morando em DC, e nem um postzinho pra contar a história. Então resolvi: não faço mais promessas. Farei o possível pra escrever com mais contância, mas não prometo nada.

Tendo dito isso, vamos ao que interessa: um ano se passou em Washington, DC. Não sei nem por onde começar (que é um dos problemas de passar tanto tempo sem escrever). Então vamos por partes, como diria nosso amigo Jack...

Primeiro, volta às aulas. Estou aqui fazendo um mestrado em filme e vídeo na American University, uma das melhores escolas para filmes documentários do mundo. E eu nem sabia disso quando me inscrevi pro curso, o que simplesmente vem a comprovar a minha idéia de que o universo conspira sempre a nosso favor.

De onde veio a idéia de fazer documentários? Pra falar a verdade, não sei bem dizer. Sei que eu sempre gostei de filme e cinema, mas daí a pensar em passar da poltrona pra detraz das câmeras é um passo enorme. Tenho uma prima e um amigo que trabalham com documentários, e esse era o único contato que eu tinha com a profissão... Mas independente de de onde surgiu a idéia, eu me inscrevi pro curso, vim morar nos States e... Me encontrei. De verdade. Fazer filmes é fantástico, e involve muito mais do que simplesmente saber onde fica o botão de gravação na camcorder de mão. Involve uma visão, uma história, e um desejo irresistível de que todas as pessoas do mundo conheçam essa história, e sintam por ela o mesmo que você sentiu quando resolveu fazer o tal filme. Quem diria... eu acabei virando uma contadora de histórias. Vinda de uma família de jornalistas e escritores, pode parecer óbvio pra muita gente, mas admito que me pegou de surpresa.

É impressionante olhar pra trás e ver o quanto eu aprendi nesse ano que passou. Do meu primeiro filmezinho (sobre uma pessoa que acorda com um barulho e sai pra investigar), onde eu mal sabia ligar a câmera, hoje eu sei montar iluminação pras mais diversas situações, sei pra que que serve a tão famosa claquete, sei o que significam as milhões de funções que aparecem nos créditos dos filmes. E principalmente, sei que TODAS aquelas pessoas listadas são essenciais pra produção do filme. Sei também fazer orçamento (e sei chorar com o valor total listado no finzinho da planilha), e estou agora aprendendo a pedir dinheiro :) Mas o melhor de tudo é o prazer de ver a sua visão se tornando realidade, as imagens sendo criadas na telinha da câmera, depois na tela do computador e, finalmente, na tela da televisão (e quem sabe um dia, nas telas de cinema!).

Sinto orgulho de todos os pequenos projetos dos quais participei até hoje. A maioria foram curtas, de 5 a 10 minutos, realizados em poucos meses. Alguns eu filmei, outros produzi, a maioria eu editei ou ajudei na edição. Apesar de eu querer mesmo é trabalhar com documentários, não tenho como negar o quanto é divertido trabalhar em filmes de ficção, escrever roteiros, dirigir atores, montar cenário (aliás, a maioria dos filmes foi filmado no meu apartamento). E melhor de tudo, a festa de encerramento ao final da produção :)

Um desses pequenos filmes me valeu meu primeiro prêmio, o de melhor documentário, com direito a cerimônia de entrega, foto, entrevista e até um troféu. É um documentário que fiz com outras 5 pessoas na minha turma de Técnicas Avançadas de Documentário, sobre um médico que atende pacientes idosos e de baixa renda em suas residências. Entrevistamos o médico e dois pacientes. O documentário final ganhou não só o prêmio de melhor documentário, mas também o de "Mídia que Importa" (que era o tema do prêmio). E, ainda mais impressionante, o vídeo está agora fazendo as rondas pelo Congresso americano e, da última vez que eu vi, estava a caminho da Casa Branca. É aquela ideiazinha que cria vida própria e vai por caminhos que você nem imaginava quando estava tentando gravar uma entrevista dentro de um carro apertado com cabos e microfones e refletores e buracos...

E agora vem o maior desafio de todos: o meu projeto final. Teoricamente, como o meu curso é só de dois anos, eu só precisava fazer um curta (20 a 30 minutos). Mas o projeto que eu quero fazer não cabe em 30 minutos... E vai ser filmado em Londres e Salvador, com uma equipe de umas 8 pessoas, com legendas e tudo mais. É um pouco além do que é pedido, mas e daí? É o que eu quero fazer, e eu vou dar um jeito de fazer... Ainda não sei bem como, porque o orçamento já tá muito além das minhas condições, mas tenho certeza que de algum jeito vai dar certo. É aquela minha fé nas conspirações cósmicas...

Vou deixar os detalhes do projeto final pro próximo post, que deve vir logo logo (mas lembrem-se, não faço promessas!)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Será que temos mesmo tempo?



Estava assistindo American Idol (tá bom, eu admito, eu tenho assistido as últimas 3 ou 4 temporadas, e tenho até uma quedinha pelo Simon Cowell... Ninguém é perfeito!). Claro que quem ganhou esse ano foi o David Cook, coisa que eu já via acontecendo desde o começo da temporada, porque ele canta HORRORES e é lindo de morrer (principalmente depois que cortou o cabelo)... Mas isso não vem ao caso.

Acontece que no episódio final de American Idol, o George Michael (que sempre foi, é e sempre será, o MUST) apareceu pra cantar... Uma música que eu nunca tinha escutado na minha vida. E que depois eu descobri que foi lançada em 1990, no CD "Listen Without Prejudice" (aquele com aquele monte de gente na capa). Que eu obviamente vou comprar, porque eu acabei de descobrir que eu só tenho um CD do George Michael, e isso precisa ser remediado urgentemente.

Pois é. A música é linda de morrer. E a letra, apesar de já ser maior de idade e já poder dirigir, ainda é totalmente atual, se bobear até mais atual do que era originalmente. E isso é um pouco trágico... Abaixo está o vídeo e a tradução.



Rezando por Tempo

Esses são os dias das mãos abertas
Eles não serão os últimos
Olhe ao seu redor agora
Esses são os dias dos mendigos e dos exigentes

Esse é o ano do homem faminto
Cujo lugar é no passado
De mãos dadas com a ignorância
E com as desculpas legítimas

Os ricos se declaram pobres
E a maioria de nós não tem certeza
Se temos demais
Mas nos arriscaremos
Porque Deus parou de marcar os pontos
Parece que em algum momento
Ele nos deixou sair para brincar
Deu as costas, e todos os filhos de Deus
Saíram pela porta dos fundos

E é difícil amar, e tem tanto para odiar
Se agarrando à esperança
Quando não se tem esperança para comentar
E os céus machucados acima
Dizem que é tarde demais
Bem, talvez nós devêssemos todos estar rezando por tempo

Esses são os dias das mãos vazias
Você se agarra ao que pode
E caridade é um casaco que você veste duas vezes por ano

Este é o ano do homem culpado
Sua televisão toma uma posição
E você descobre que o que acontecia lá agora acontece aqui

E você grita de trás da sua porta
Diz, o que é meu é meu, e não seu
Eu posso ter demais, mas eu me arriscarei
Porque Deus parou de marcar os pontos
E você se agarra às coisas que eles te venderam
Você fechou seus olhos quando eles te disseram
Que Ele não pode mais voltar
Porque Ele não tem mais filhos para quem voltar

E é difícil amar, e tem tanto para odiar
Se segurando à esperança
Quando não se tem esperança para comentar
E os céus machucados acima
Dizem que é tarde demais
Bem, talvez nós devêssemos todos estar rezando por tempo

Você acha que nós temos tempo?
Por favor, nos dê tempo...

segunda-feira, 5 de março de 2007

Retrospectiva 2006


Tá bom, eu sei. Retrospectiva geralmente é feita em janeiro (os mais apressados fazem até mesmo em dezembro). Não em março. Mas é que 2007 já começou tão corrido e tão cheio de surpresas - algumas agradáveis, outras tristes - que mal dava tempo de pensar no presente, quanto mais no passado. Mas acho que mesmo com um pouco de atraso, o que vale é a intenção.

2006 foi um ano cheio de novidades e realizações. Tanta coisa aconteceu, que parece que eu vivi uns 5 anos em 1 (como diria JK). Aliás, esse tem sido o lema da minha vida, desde 1999: cheia de ação, de mudanças, de neuroses, parece um filme, ou talvez um livro.

Ano passado foi cheio de primeiros. Passei meu primeiro Carnaval na Sapucaí (infelizmente não desfilei ainda, mas é bom que tem alguma coisa pra esperar dos próximos anos). Nasceu meu primeiro sobrinho, coisa mais linda da tia. Viajei com a minha vó para o Leste Europeu, e me apaixonei por Praga e, principalmente, por Viena. Me emocionei assistindo a Orquestra de Mozart tocando Danúbio Azul no Palácio de Hofburg, briguei a beça com a minha vó porque ela queria comer o que não devia, troquei milhões de vezes de prato com ela porque o meu sempre era melhor :)

Comprei meu primeiro apartamento, depois de muita procura e seguindo minha intuição pela primeira vez na minha vida para algo realmente grande. Vi e resolvi que era aquele e pronto. Fiz a minha primeira reforma, aprendi a decifrar letra (e palavras como triuê e foruê) de mestre de obras, a prestar atenção em detalhes de projeto pra não me arrepender depois, a fazer recibo e a negociar preço com pintor, gesseiro e marceneiro. Aprendi a brigar pelos meus direitos e a controlar orçamento, aprendi que não dá pra fazer tudo de uma vez, e adquiri um pouco mais de paciência (mas não muita). Descobri meu gosto por decoração, e que eu sei exatamente o que eu quero. E que não me interessa o que os outros acham, eu VOU pintar o meu lavabo de vermelho e vai ficar LINDO. E me surpreendi com o resultado de tudo isso: meu apartamento tá lindo de morrer, do jeito que eu queria, com a minha cara. E com o lavabo vermelho, que todo mundo achava chocante. E que hoje todo mundo gosta.

Como se isso tudo aí em cima já não bastasse... Teve o Batala, que entrou na minha vida como um furacão e repriorizou tudo. De março pra cá, tiveram poucos fins de semana que não foram reservados para a banda. Dos meses que eu passei como aspirante, sentada na grama assistindo os ensaios, até hoje, aconteceu tanta coisa que é até difícil de listar. Troquei do surdo pro repique em tempo récorde, fiz minha primeira apresentação no Teatro Nacional fazendo duelo com uma violinista. Caí na organização fazendo freqüência do repique, e de repente me vi fazendo a freqüência consolidada de quase duzentas mulheres, pontuação e ranking por instrumento, e ajudando a organizar a mega super ultra viagem pra Lavagem do Bonfim. Fui convidada (pra minha surpresa!) pra participar da gravação do novo CD do Batala, e passei a ensaiar feito uma louca, todos os dias da semana, incluindo sábado e domingo. Passei a coordenar as aulas de baquetas de quarta-feira, depois a de segunda, e mais uma pra completar. Virei regente substituta, organizando apresentação e regendo uma banda de 70 meninas, morrendo de medo e controlando crises de pânico. E, mais importante de tudo isso, aprendi a tocar! :) Milhões de bolhas nos dedos, dor nos braços, cãimbras, muita bronca e cara feia do regente, dança pro lado errado, solos não programados (também conhecidos como "erros vergonhosos")... Muito sofrimento, mas que nem parecia sofrimento porque era tudo tão divertido. E ainda tem muuuuuuuuito o que aprender. Pra isso temos o ano novo, né...

Pois é, esse foi 2006. O que eu espero de 2007? Sinceramente, não espero mais nada. Já aconteceu tanta coisas nesses dois primeiros meses, que fico até com medo do que mais pode acontecer. Fiz uma viagem linda com o Batala para Salvador, onde aprendi que é possível compartilhar uma casa com 60 outras mulheres sem ficar completamente louca. Conheci pessoas maravilhosas, que espero poder reencontrar um dia. Consegui completar a caminhada de 6km até a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim em 4 horas e meia, sem parar de tocar. Gravamos o CD de madrugada, em estúdio, e ele ficou LINDO! Toquei nas ladeiras do Pelô, com o Tambores e Cores, com o Cortejo Afro, com Gerônimo. Dei entrevista pra programa de TV sobre mulheres na música. Viajei também no Carnaval, dessa vez pra Buenos Aires, fiz milhões de compras, assisti um show de tango, vi o túmulo da Evita Perón, comprei uniforme do Boca Júniors pras crianças da família, treinei meu espanhol, mas acabei falando mais foi português, porque aquilo parece mais estado brasileiro do que país estrangeiro. Amei.

Como disse no começo, tive surpresas agradáveis e outras tristes nesse começo de 2007. E a mais triste de todas foi perder meu padrasto. E esse foi mais um "primeiro": primeira pessoa realmente próxima a mim que morreu. Sinto saudades dele me esperando no aeroporto, querendo saber as novidades. De brigar com ele porque ele não podia carregar peso, mas sempre queria colocar as malas no carro. De discutir orçamento e política com ele (a única pessoa que eu tinha paciência de discutir sobre esses assuntos).

Mas a vida continua. Esse ano tem milhões de perspectivas positivas, muitas previsões de viagens, algumas já programadas há algum tempo, outras meio que de surpresa. Mudanças no trabalho (se Deus quiser), móveis novos, quadros novos, home theater novo (se sobrar dinheiro, depois das viagens). Curso de fotografia, de edição de vídeo, de arte digital. Show de lançamento do CD do Batala. Quem sabe até um Se Vira nos Trinta de novo...

Com esse tanto de coisa prevista, não tem como esperar mais. Não cabe no ano, que mal começou e já me deixou cansada, estafada, nervosa, melancólica, ansiosa, mas ao mesmo tempo, feliz. E que venha 2007!

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Afinal de contas, o nome é Fundo Musical por uma razão...

Mais algumas letras de música... Sou daquelas pessoas que conhece quinhentas milhões de músicas, das mais variadas, desde a capella até rock pauleira. O mais engraçado é que muitas vezes eu gosto de uma música ou de um cantor anos antes dele realmente despontar. Aqui estão alguns bons exemplos de músicas que hoje em dia são conhecidas, mas que eu já conheço há um tempão... E que marcaram, por diversas razões, esse ano que passou.

Milágrimas é uma das letras mais lindas que eu já li, acho perfeita. Conheço há pelo menos um ano (já conhecia antes da Zélia Duncan gravar). Nessa sexta eu fui no Gate's assistir a um tributo a Fela Kuti, e pela primeira vez percebi que a letra dessa música está gravada em uma das paredes do Gate's. Não sei se colocaram agora ou se sempre esteve ali (eu nunca encontrei o Gate's vazio a ponto de conseguir ler o que tem nas paredes)...

Milágrimas
Itamar Assumpção e Alice Ruiz

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça o seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza, vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cenas
Cante as rimas de um poema
Sofra penas, viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto
Invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

A cada mil lágrimas sai um milagre
A cada mil lágrimas
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Do sal, do sal, do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas
Sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

A cada mil lágrimas sai um milagre
A cada mil lágrimas
A cada mil lágrimas sai um milagre


Onde Deus Possa Me Ouvir é outra que eu conheci alguns meses antes de começar a tocar na Nova Brasil. Achei linda a letra (meio deprê, mas linda), e inclusive coloquei no meu fotolog no ano passado, quando passava por uma fase meio contemplativa...

Onde Deus Possa Me Ouvir
Vander Lee

Sabe o que eu queria agora, meu bem?
Sair, chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também

Que me oferecesse um colo ou um ombro
Onde eu desaguasse todo o desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém

Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem
Se atiram pro abismo
Se debatem, se combatem sem saber

Meu amor, deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor, eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair...
Adeus.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Dá logo um abraço, vai!!!

Tá bom, eu sei que eu sou completamente sentimental e que a maioria das pessoas não vai se comover tanto com esses vídeos, mas eu achei eles o máximo. Se eu não fosse tão envergonhada, eu saía pelas ruas com um cartaz desses e tenho certeza que meu dia ia ser muito mais feliz!

All the Same
Sick Puppies

I don't mind where you come from
As long as you come to me
But I don't like illusions
I can't see them clearly

I don't care, no I wouldn't dare
To fix the twist in you
You've shown me eventually
Why you'll do

I don't mind, I don't care
As long as you're here

Go ahead, tell me you'll leave again
You'll just come back running
Holding your scarred heart in hand
It's all the same

And I'll take you for who you are
If you take me for everything
Do it all over again
It's all the same

Hours slide and days go by
Till you decide to come
However long you stay
Is all that I am



Outro Abraço
Marco Camarano

Sei que sou duro na queda
Sei também não sou feito de pedra
Sente só a cinza dessa selva
A falta de afago

Vem...
Vem que o meu ombro eu posso emprestar
Um abraço, outro abraço
Caia nessa rede de desembaraço
Um abraço, um novo abraço
Se lance em mais um outro amasso
Crie um laço, que esse seja mais real

Deixe estar, seja perfeito e honesto
Cego, amor, por um defeito sincero
Vai que vai, vai de peito aberto
Entre nesse passo
Eu não passo, não

Vem...
Vem que o meu ombro eu posso emprestar
Um abraço, outro abraço
Caia nessa rede de desembaraço
Um abraço, um novo abraço
Se lance em mais um outro amasso
Um abraço, outro abraço
Caia nessa rede de desembaraço
Um abraço, um novo abraço
Se lance nesse novo amasso

Vem...
Vem que o meu ombro eu vou te emprestar...